O vermelho e verde que nunca sai de moda
Há uma camisola que os pais mostram aos filhos, e os filhos mostram aos netos. A vermelha e verde. Portugal. Não é a mais cara, não é a mais rara, mas é a mais especial. Porque traz o escudo com as quinas. Porque traz a memória de Eusébio, de Figo, de Ronaldo. E porque as crianças de hoje veem nela não só o passado, mas também o futuro. Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Rafael Leão. São os heróis modernos. E os miúdos querem vestir as mesmas cores.
O meu vizinho tem um filho de nove anos. O menino respira futebol. Sabe os nomes todos, os números, as estatísticas. O quarto dele é um museu do Benfica, mas também da seleção. No Natal passado, pediu uma coisa. Apenas uma. A camisola nova de Portugal. A vermelha com o rebordo verde, a que a equipa usou no último Europeu. O pai foi ver preços. Assustou-se. Como é que uma camisola para uma criança pode custar tanto? A mãe teve uma ideia. Não comprou a oficial. Comprou uma alternativa. Quando o miúdo abriu a prenda, os olhos brilharam na mesma. Vestiu-a instantaneamente. Não a tirou para o almoço de Natal. Nem para a sesta. Dormiu com ela.
Portugal tem tido uma trajetória interessante. Depois do Euro 2016, a fasquia ficou alta. Mas as novas gerações não se lembram só desse título. Elas viram a Liga das Nações, viram os jogos grandes, viram o país a vibrar. E mesmo quando a seleção não ganha, os miúdos mantêm-se fiéis. Porque ser português não é só ganhar. É sofrer, é cantar, é estar lá sempre. E a camisola representa isso.
O momento atual da seleção é de transição. O Ronaldo já não é o mesmo, mas continua a ser um símbolo. Os miúdos adoram-no, mas também já adoram o Bruno Fernandes, o Rafael Leão, o Gonçalo Ramos. Cada um com o seu estilo. O Leão, com aquele dribbling desajeitado mas eficaz. O Bruno, com aqueles remates de longe. Há heróis para todos os gostos. E a camisola de Portugal é o elo comum.
Quando se fala numa "Camisa de futebol Portugal Infantil", não se fala apenas de um produto. Fala-se de um sorriso. De uma forma de dizer ao filho: "Acredito em ti." Porque o futebol, para as crianças, não é um negócio. É uma paixão. É a primeira vez que vibram com um golo. É a primeira vez que choram com uma derrota. É a primeira vez que percebem o que é pertencer a um grupo, a um país, a uma história.
Uma mãe de Cascais contou-me que a filha, de dez anos, não larga a camisola de Portugal. Usa-a para ir à escola por baixo do casaco. Usa-a ao domingo para ver os jogos com o avô. Usa-a até para fazer os trabalhos de casa, diz que lhe dá sorte. A mãe ri-se e diz que foi das melhores compras que fez. Não foi cara. Mas fez a diferença.
O preço das camisolas oficiais é, por vezes, um obstáculo. E as crianças crescem. Aquela que serve hoje, amanhã já não serve. Os pais sabem disso. E sabem que não é preciso gastar uma fortuna para ver um miúdo feliz. Existem opções para todos os bolsos. O importante é que a camisola tenha as quinas no sítio certo e a cor certa. O resto é conversa.
Há também as raparigas. A seleção feminina tem crescido a olhos vistos. A Diana Silva, a Kika Nazareth, a Carolina Mendes. Pequenas craques que as miúdas de hoje veem como espelhos. E por isso, cada vez mais meninas pedem a camisola de Portugal. Não a querem cor-de-rosa. Querem a mesma. A vermelha. A das quinas. A de todos.
No outro dia, vi um miúdo no campo com a camisola de Portugal. Tinha o nome "Ronaldo" nas costas. Corria como se não houvesse amanhã. Marcou um golo e festejou com o braço no ar. A mãe, na linha lateral, aplaudia. Perguntei-lhe se a camisola era original. Ela riu-se. "Não sei", disse. "Ele não quer saber. Ele só quer jogar."
E é isso. No fundo, é só isso. A camisola não faz o jogador. Mas ajuda. Ajuda a sonhar. Ajuda a correr mais um bocado. A ajudar a equipa. A não desistir. E isso, qualquer pai ou mãe sabe, não tem preço. Um miúdo feliz é um miúdo que veste as cores do seu país com orgulho. Mesmo que a camisola não tenha vindo da loja oficial. O orgulho é que conta. E esse, esse é verdadeiro.
